Entrevista a Gonçalo Bento

Gonçalo Bento, ex-jogador da equipa Sénior do White Sharks (ou talvez “não”) e elemento fundador do clube, respondeu-nos a umas questões onde revela vários aspectos sobre a sua vida pessoal e a relação com o baseball.

Há quanto tempo começaste a jogar baseball? Como o fizeste?
Desde pequeno que tinha algum interesse por baseball, lembro-me bem de ver “O Ano Louco dos Índios” e uma série japonesa de anime na RTP2. Claro que não percebia nada das regras ou da maior parte das coisas de que eles falavam, mas ficava fascinado por tudo o que envolvia baseball. Sabia que havia algumas equipas em Portugal, e de uma em concreto no Seixal, mas o que mudou tudo foi o dia em que entrei para a Emídio. Na primeira oportunidade falei com o Prof. Lucas durante o treino e o resto é história.

Isto foi em 1999, o primeiro ano da equipa, ainda nem sequer tínhamos nome e era uma equipa completamente direccionada para o softball e Desporto Escolar. Estávamos todos a aprender e a começar do zero, só haviam 2 tacos e um punhado de luvas para a equipa toda. Ainda me lembro de fazermos uma “excursão” durante as férias de Páscoa à Arco, Besta e Caça para alguns de nós comprarem luvas ou tacos, e foi dessa vez que comprei a minha luva que me acompanhou durante 15 anos. Ainda dei uma perninha no Lisboa Basebol Clube durante uns tempos, enquanto jogava softball pelos (já baptizados) White Sharks, mas depois com a fundação do clube de baseball mudei-me de vez para Almada e só voltei a vestir outra camisola depois de me mudar para Coimbra em 2011 e passar a jogar pela Académica.

Qual o momento mais marcante para ti desde que jogas baseball? Podes explicar-nos um pouco?
Não vou dizer um mas sim dois momentos, um do softball e outro do baseball: as jogadas finais dos dois primeiros campeonatos em cada modalidade.

No softball foi na final do campeonato jogado na Sobreda contra a equipa da Quinta do Conde em 2002. Tínhamos perdido a final do ano anterior em Setúbal num erro de arbitragem (admitido mais tarde pelo mesmo) mas neste ano tínhamos simplesmente uma equipa forte demais para perder. A última jogada foi uma soft flyball que raspou na luva do nosso shortstop Fernando Augusto em corrida para trás, o leftfielder João Birra avança para a bola, apanha da relva e lança um canhão de passe para o primeira base Ricardo Martins. Jogada 7-3, jogo e campeonato ganho! Vi isto tudo da minha posição no centerfield e a seguir só me lembro de atirar o boné para o ar e desatar a correr. A primeira vitória e troféu de muitos mais, que como capitão de equipa tive a honra de entregar à então Presidente do Conselho Directivo.

No baseball foi no campo de Abrantes em 2009 contra a Académica de Coimbra. Tinha acabado de ter sido eliminado no top of the inning numa colisão no home plate e estava no banco quando o nosso coach Carlos “Alex” Tavares entra para fechar o jogo. Strikeout numa curva no chão e lá vou eu a correr para o monte outra vez!

Qual a tua ligação atual ao White Sharks?
Quem passa por este clube sabe que a vida pode dar muitas voltas mas os WS continuam sempre no coração. Desde 2013 que saí de Portugal, mas sempre que volto faço questão de passar por pelo menos um treino ou um jogo na Sobreda para desfrutar este desporto e rever amigos. Pelo meio temos também a nossa fantasy league onde dá para algumas picardias. =P De resto é ir acompanhando os resultados e torcer por fora.

Fala-nos um pouco da tua vida pessoal/profissional?
De momento resido em em Didsbury nos arredores de Manchester no Reino Unido e sou sub-director e investigador no domínio da imagiologia retiniana no hospital e universidade locais. Recomecei agora a jogar baseball pelos Nottingham Rebels sempre que jogam fora no Noroeste de Inglaterra, depois de ter feito uma pausa no ano passado para me dedicar mais à minha tese.

Como achas que o baseball impacta a tua vida pessoal?
Tirando a parte em que a minha namorada me dá na cabeça por passar fins‑de‑semana inteiros fora é tudo positivo! =P Foi graças ao baseball que fiz imensas amizades que já duram faz quase duas décadas, e passámos excelentes momentos tanto em jogos e treinos como nas deslocações fora ou ao estrangeiro. Posso dizer também que foi graças ao baseball que desenvolvi grande parte das minhas habilidades analíticas e capacidade crítica de dados e estatística, que me tem vindo a ser imensamente útil na vida profissional.

Que futuro vês para o baseball e para o White Sharks?
O baseball em Portugal tem vivido imensos altos e baixos, mas neste momento parece que está a estabilizar. Penso que o futuro do baseball tem de estar na criação de pólos/equipas espalhadas pelo país, se possível estabelecidas do mesmo modo que os WS, com uma génese e base no Desporto Escolar/camadas jovens que permita um crescimento sustentado das mesmas. Só assim será possível a formação de novos jogadores que possam continuar a fazer esta modalidade crescer.

Assisti ao início, fundação e crescimento dos White Sharks desde o primeiro momento. Desde um grupo de desporto escolar que nem sabia como agarrar no taco, até jogar na Liga dos Campeões de Baseball. Atingimos muito mais do que aquilo que alguma vez sonháramos, e se querermos continuar a dar passos em frente é preciso algo que tem faltado até agora: infra-estruturas dedicadas para o efeito onde todos os escalões possam treinar e jogar com as melhores condições possíveis.

Queremos agradecer imenso a disponibilidade do Gonçalo Bento para a entrevista e para os muitos anos que vem dedicando ao clube!

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